Não há dúvidas de que o agronegócio em Mato Grosso é o principal setor econômico, mesmo com avanços da indústria, turismo e comércio. Líder nacional na produção de soja, milho, algodão e carne bovina, o Estado desponta como “celeiro do Brasil”.
Para se ter uma dimensão, na safra 2024/25 de soja, o Estado produziu sozinho, 50,6 milhões de toneladas. Com esse número, Mato Grosso seria o terceiro maior produtor de soja do mundo se fosse um país. E esse cenário reflete diretamente nas urnas.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o agronegócio puxou a economia naquele ano no país e Mato Grosso atingiu o 9ª maior PIB do país com R$ 273 bilhões e participação de 2,5% na economia nacional.
O crescimento da direita em Mato Grosso nos últimos anos tem um motivo claro: a expansão do agronegócio. Cada vez mais produtores tem se alinhado as ideias conservadores dos partidos de direita, principalmente do Partido liberal (PL), que teve como principal representante, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas eleições de 2024, ficou nítida a popularidade de direita em Mato Grosso, com a vitória de diversos candidatos do PL ou União Brasil – partido de centro-direita – em diversas cidades do Estado. Nas cidades-polo do Estado, representantes da direita também foram eleitos. Em Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL) foi eleito; em Sinop, Roberto Dorner (PL); em Sorriso, Alei Fernandes (União Brasil); em Barra do Garças, Dr. Adilson Gonçalves (União Brasil) e em Alta Floresta, Valdemar Gamba (União Brasil).
Essas bandeiras mantêm o produtor e as cidades do interior fortemente conectados ao agronegócio e ao pensamemento conservador. Discursos focados em segurança pública e valores tradicionais preservam o forte histórico político do bolsonarismo na região.
No agro, um dos líderes do setor e conhecido como “barão do agro”, Antônio Galvan é uma aposta do PL (Partido Liberal) ao Senado Federal. Ele deve contar com o apoio de produtores rurais de Mato Grosso. Eles são alguns dos nomes desses setores fortes que impulsionaram o PIB e que devem entrar na disputa eleitoral de 2026.
No estado, o setor de serviços respondeu por 52% do PIB, a agropecuária por 34% e indústria por 15%, setor que somou R$ 36 bilhões em 2025.
O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) terá como candidato a deputado federal nas eleições de 2026 o presidente da Fiemt (Federação das Indústrias de Mato Grosso), Silvio Rangel, que deve contar com o apoio da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso) e Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso).
Dados de junho da Real Time Big Data ouviram 1.600 eleitores e mostraram o cenário para o governo de Mato Grosso. Wellington Fagundes (PL) lidera os cenários estimulados com 35% a 40% das intenções de voto. Ele é um dos políticos que defende o agro.
Com o fim do financiamento privado empresarial pelas regras atuais, o peso do “fundão” partidário atrai legendas ricas, mas o capital corporativo do agro dita o ritmo de bastidores.
Figuras de peso do campo têm assumido papéis de liderança em chapas majoritárias ou lançado candidaturas diretas, garantindo a capilaridade e os recursos logísticos e financeiros necessários para percorrer o vasto território mato-grossense.
Cabe destacar que, a relação do eleitorado mato-grossense com o Governo Federal é um ponto de forte tensão. Enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) tenta emplacar leis favoráveis no Congresso, lideranças locais do agro mantêm forte resistência à polarização nacional.
O cenário reflete uma divisão de forças, onde nomes governistas tentam construir pontes de diálogo com o setor produtivo, mas enfrentam forte oposição das bases rurais.
O estado é um dos mais conservadores do país, e o agronegócio atua como o principal cabo eleitoral da direita e de alas bolsonaristas. As pautas prioritárias incluem a defesa da liberdade econômica, a ampliação da infraestrutura logística (como a Ferrogrão) e a resistência à taxação do setor.
Com isso, o estado do agronegócio tem forte peso nas eleições de 2026.
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