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Irã diz que guerra levará o ‘tempo necessário’ e promete bloquear petróleo do Golfo; Trump diz que fim do conflito está próximo

O país persa afirmou que não permitirá a exportação de petróleo da região para a parte hostil e seus aliados

Irã diz que guerra levará o ‘tempo necessário’ e promete bloquear petróleo do Golfo; Trump diz que fim do conflito está próximo

Irã prometeu nesta terça-feira (10) combater pelo tempo que for necessário e advertiu que nenhum litro de petróleo do Golfo será exportado enquanto prosseguir a guerra contra Estados Unidos e Israel, um conflito que, segundo o presidente Donald Trump, “terminará em breve”.

“Estamos preparados para continuar os ataques com mísseis contra eles pelo tempo que for necessário e sempre que for necessário”, declarou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ao canal estadunidense PBS News.

Além disso, em um cenário de volatilidade dos preços do petróleo devido à guerra e ao bloqueio de fato do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo, a Guarda Revolucionária iraniana intensificou a pressão.

“As Forças Armadas iranianas não permitirão a exportação de um único litro de petróleo da região para a parte hostil e seus aliados até novo aviso”, advertiu o exército ideológico da República Islâmica.

“Seremos nós que decidiremos o fim da guerra”, afirmou o porta-voz da Guarda Revolucionária em um comunicado divulgado pela imprensa iraniana.

O fim está próximo?

Algumas horas antes, durante uma entrevista coletiva na Flórida, Trump afirmou que a guerra iniciada pelos EUA e Israel “terminará em breve”.

Para aliviar os preços, Trump declarou, sem revelar os detalhes, que suspenderia as sanções relacionadas ao petróleo para alguns países, após ter uma conversa “positiva”, segundo ele, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O petróleo russo está sob sanções ocidentais devido à incursão na Ucrânia.

Apesar das declarações de Trump, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta terça-feira que “ainda não terminamos” no Irã e ressaltou que a ofensiva está “quebrando os ossos” do regime de Teerã.

Os comentários do presidente dos EUA provocaram uma forte queda nos preços do petróleo, que oscilam no momento entre 86 e 90 dólares o barril, e altas nas bolsas, tanto no fechamento na Ásia como na abertura na Europa. Os preços do gás na Europa também operavam em queda.

Em 10 dias, os Estados Unidos atacaram mais de 5 mil alvos, incluindo mais de 50 navios iranianos, anunciaram as Forças Armadas estadunidenses na segunda-feira. Os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel deixaram mais de 1,2 mil mortos em 10 dias, segundo o Irã.

Na noite de segunda‑feira, o Exército de Israel anunciou uma nova onda de bombardeios “de grande amplitude” contra Teerã, onde a imprensa estatal relatou ataques na capital e em Khomein, no centro do país. No que diz respeito aos objetivos da guerra, Donald Trump não se pronunciou de maneira clara.

Washington pediu uma mudança de regime ou a formação de um governo em Teerã alinhado com seus interesses. Trump disse na segunda‑feira que “não está contente” com a nomeação como líder supremo de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro, no início da campanha militar israelense‑estadunidense

O governo Trump afirma que pretende destruir as capacidades balísticas do Irã e impedir que o país desenvolva a bomba atômica. Uma intenção que Teerã sempre negou ter.

Estreito de Ormuz e ataques no Golfo

Petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz “devem ter muita cautela”, alertou na segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei.

Ele também defendeu os ataques iranianos contra países do Golfo, afirmando a Dan Murphy, da CNBC, que atacar “bases e instalações militares” pertencentes aos Estados Unidos na região é “legítimo segundo o direito internacional”.

O Irã prossegue com os ataques de retaliação contra o território israelense e a infraestrutura petrolífera de seus vizinhos na região do Golfo. O governo dos Emirados Árabes Unidos informou nesta terça-feira que o país foi alvo de ataques com drones e mísseis iranianos; Kuwait e Arábia Saudita anunciaram que derrubaram drones.

O Bahrein relatou duas mortes em um ataque iraniano contra um prédio residencial em Manama, a capital do país.

Na frente de batalha do Líbano, a milhares de quilômetros do Irã, Israel voltou a bombardear nesta terça-feira o sul e o leste do país, informou a agência nacional de notícias ANI.

Israel bombardeia o Líbano desde que o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah lançou mísseis contra o território israelense no dia 2 de março, em apoio ao país persa.

Na segunda-feira, o presidente libanês, Joseph Aoun, acusou o Hezbollah de querer provocar o colapso do país a serviço do Irã. Ele pediu “negociações diretas” com Israel para obter o fim do conflito. Os dois países não mantêm relações diplomáticas.

Os ataques israelenses deixaram ao menos 486 mortos e mais de meio milhão de deslocados, segundo as autoridades libanesas.

 

 

 

 

Editado por: Geisa Marques

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