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Magistrada critica corte de penduricalhos: "Daqui a pouco é escravidão”

Magistrada critica corte de penduricalhos: "Daqui a pouco é escravidão”

A desembargadora do TJ/PA Eva do Amaral Coelho criticou, durante a 8ª sessão Ordinária, os novos limites estabelecidos em março pelo STF para o pagamento de penduricalhos a magistrados de todo o país.

A magistrada, da 3ª turma de Direito Penal, afirmou que a categoria vem sendo tratada como vilã e disse que, “daqui a pouco”, juízes e desembargadores estarão “no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”.

Eva se manifestou sobre o tema em 9 de abril. Aos colegas, pediu desculpas e disse que fazia um “desabafo sobre uma situação muito triste”.

Na fala, a desembargadora afirmou que foram criadas narrativas que passaram a retratar o juiz como alguém sem escrúpulos, que quer “ganhar muito sem fazer nada”. Segundo ela, a imagem da magistratura foi invertida perante a sociedade.

“Hoje nós passamos de cidadãos que zelam pela proteção dos direitos para vilões da história. Nós somos os bandidos agora."

Ao rebater a visão de que juízes buscam vantagens indevidas, Eva criticou o uso do termo “penduricalho” e disse que a expressão foi lançada de forma ofensiva contra a categoria.

“Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas e mais verbas, como um privilégio, um penduricalho, uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura que hoje a gente vive com uma tensão enorme."

Segundo a desembargadora, a pressão já afeta integrantes da carreira, e há colegas que estariam com dificuldade para pagar contas.

Eva também afirmou que não existe hoje nenhuma voz em defesa dos magistrados e reclamou da reação pública contra a categoria.

“Quanto mais a gente se defende, mais a gente é execrado.”

A desembargadora também reclamou da carga de trabalho enfrentada por juízes e desembargadores e disse que a população não conhece a rotina da magistratura.

“Eu queria que parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador, para ver como é que a gente trabalha. Enormes horas extras, sacrificando fim de semana.”

Na avaliação da desembargadora, a própria população sentirá os efeitos desse cenário quando recorrer à Justiça.

“A população vai sentir quando ela procurar a Justiça e realmente não tiver. Aí ela vai sentir e vai ver de que lado ela optou."

 

 

 

 

 

 

 o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/454290/magistrada-critica-corte-de-penduricalho--daqui-a-pouco-e-escravidao

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