A corrida pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso tem hoje um favorito claro, mas segue longe de qualquer definição completa. A mais recente pesquisa mostra o governador Mauro Mendes com cerca de 40% no primeiro voto — índice considerado consolidado e suficiente para assegurar uma das cadeiras.
A segunda vaga, no entanto, permanece totalmente aberta.
Um eleitorado ainda indefinido
Os números revelam alto grau de incerteza:
Primeiro voto
17% indecisos
Segundo voto
32% indecisos
Quase metade do eleitorado ainda pode alterar o desfecho da segunda cadeira, o que mantém o cenário fluido e altamente sensível a movimentos estratégicos.
Estrutura conservadora, mas fragmentação real
Mato Grosso tem histórico eleitoral majoritariamente à direita:
Bolsonaro obteve cerca de 65% dos votos no Estado na última eleição presidencial.
Lula ficou com aproximadamente 35%.
No pleito anterior, o cenário foi semelhante: 66% a 33%.
Esse pano de fundo favorece candidaturas conservadoras. Mas a fragmentação muda a equação.
Hoje o tabuleiro se organiza assim:
🔵 Direita
Mauro Mendes
José Medeiros
🔴 Esquerda
Carlos Fávaro
Pedro Taques
🟡 Centro
Janaina Riva, segunda colocada e líder no segundo voto
Enquanto houver divisão interna nos blocos ideológicos, o centro cresce.
A peça que pode mexer no tabuleiro
Nos bastidores, circula a possibilidade de Janaina recuar da disputa ao Senado para compor como vice de Otaviano Pivetta.
O movimento teria impacto imediato:
Reduziria o espaço do centro na disputa ao Senado.
Poderia facilitar a polarização entre direita e esquerda.
Reorganizaria forças dentro do campo governista.
Mas a decisão envolve fatores delicados.
Janaina é nora do senador Wellington Fagundes, candidato ao governo pelo PL. Um alinhamento com o grupo do atual governo poderia gerar impacto político direto na campanha do sogro, além de repercussões familiares.
Além disso, há histórico recente de atritos entre Janaina e setores da base do governador, o que exigiria recomposição política significativa.
Risco calculado
Se permanecer no Senado, Janaina mantém competitividade, mas enfrenta o risco de ser comprimida caso a eleição seja nacionalizada como embate Lula x Bolsonaro.
Se recuar, preserva capital político, reduz exposição a eventual derrota em ambiente polarizado e pode se posicionar estrategicamente para o futuro.
O fator tradição: decisão na última hora
Como já ocorreu em outras eleições em Mato Grosso, a definição real pode vir apenas na madrugada anterior às convenções partidárias — ou até horas antes do prazo final.
O histórico político local mostra que alianças, desistências e composições muitas vezes são anunciadas no limite do calendário eleitoral.
Até lá, muita água ainda passará debaixo da ponte.
Resumo
Hoje, Mauro Mendes aparece praticamente consolidado para uma das vagas.
A segunda cadeira depende:
Da manutenção ou não da fragmentação.
Do grau de nacionalização da campanha.
Da conversão dos indecisos.
E, sobretudo, das decisões estratégicas que serão tomadas nos bastidores.
Em Mato Grosso, o jogo raramente se encerra antes da última rodada.
E, como de praxe, o desfecho pode ser anunciado quando muitos já acreditam que tudo estava definido.
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