Clarice acordou apressada, tomou um café forte e saiu ainda com cara de sono. As crianças estavam dormindo, ela observou pela brecha da porta de madeira.
Voltou para casa em poucos minutos com 3 pãezinhos embrulhados em um saco de papel pardo. Deixou sobre a mesa enquanto começou a cantarolar uma música de Roberto Carlos.
As crianças acordaram já se preparando para ir para a escola do bairro. Uniformes limpinhos, crianças bem penteadas, um capricho.
Pega bolsa, pega mochila, pega criança. Assim eles vão escrevendo a história dessa família.
Clarice não sabe quase nada de poesia. Nunca leu nada de sua homônima, a escritora Clarice Lispector, que tem uma frase que diz “eu sou mais forte do que eu”.
A Clarice que saiu apressada hoje de manhã, não se deu conta da força que tem. Ela lava, passa, cuida, ama. A vida não está fácil, mas ela ainda canta.
Ela carrega sozinha as responsabilidades de cada dia e a esperança de que a vida dos filhos não seja tão sofrida quanto a sua. Enquanto vai de ônibus para o trabalho, recosta a cabeça na janela e sonha acordada com o dia em que as coisas vão melhorar.
No fim da tarde, cansada, ela volta para encontrar aqueles que são o motivo dela não desistir. Beija cada um com a ternura que nunca ninguém lhe ofereceu.
Ela nem se lembra que está chegando o Dia da Mulher, mas as crianças guardaram para ela um bombom que ganharam na escola e num bilhetinho de papel desenharam um coração.
Você é forte, Clarice. Feliz dia da mulher.
Rejane Monge é nutricionista formada pela UFMT e servidora pública do Estado
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