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Quatro mil crônicas depois

Quatro mil crônicas depois

Publico hoje, no blog do Bar do Bugre, a minha crônica de número quatro mil.

Para um escritor amador como eu, essa marca tem peso histórico e merece, sim, ser comemorada.

Quatro mil crônicas dariam para imprimir quarenta livros, cada um com cem textos.

Não é pouco.

É uma vida escrita aos poucos, dia após dia.

Tudo começou com a ociosidade que a idade me ofereceu.

Aos setenta e quatro anos, viúvo, com os três filhos casados e cada qual morando em seu próprio apartamento, encontrei-me com tempo de sobra.

Aposentado, atendendo no consultório apenas pela manhã — clientes sem planos de saúde — restava-me a tarde para pensar na vida.

Novo casamento não fazia parte dos meus planos imediatos.

Cansei-me da internet e da televisão, com exceção do futebol, sempre fiel companheiro.

Como vice-presidente da Clínica Femina, ajudei como pude o Kamil Fares quando ele se afastou para assumir a Presidência da Unimed, em dois mandatos consecutivos de três anos.

Foi nesse período que conheci, profissionalmente, o Dr. João Nunes da Cunha Neto, advogado.

Comecei a escrever crônicas do cotidiano em um caderno.

Depois, passava tudo para o Word e encaminhava os textos para sua leitura, sem qualquer compromisso de resposta.

Não sabia que ele lia — e, mais do que isso, guardava cada crônica.

Quando recebeu a de número sessenta, decidiu me fazer uma surpresa: doou-me o blog Bar do Bugre e o GNN Cultura.

Tornou-se seu editor-fundador, responsável pela ilustração dos textos, função que exerce com talento e dedicação.

Sempre questionei com ele a validade de publicar textos sobre o cotidiano, já que nunca me considerei um intelectual.

Ele retrucava dizendo que o blog não buscava erudição, mas registrava fatos da nossa história moderna.

E tinha razão.

A revisora fundadora é Christina Meireles, olhar atento e sensível, que acompanha os textos com rigor e carinho.

Nós três — escritor, editor e revisora —nunca fomos remunerados.

Ainda assim, nossos textos ganharam o mundo, sendo publicados em jornais, revistas e sites.

O blog me proporcionou inclusive, a honra de ser o único médico mato-grossense a tornar-se membro titular da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES), com sede no Rio de Janeiro.

Escrever foi, para mim, um método inteligente — e afetivo de enfrentar a velhice.

Meus sinceros agradecimentos ao Dr. João Cunha, à Christina Meirelles e, sobretudo, aos leitores que prestigiam estes textos com sua leitura.

Sem vocês, nenhuma crônica faria sentido.

Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado

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