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Angeliquinha do Comando Vermelho cumpre isolamento de seis meses na penitenciária feminina de Cuiabá

Liderada do CV condenada a 260 anos é recapturada na Bolívia e retorna ao Estado sob regime disciplinar diferenciado.

Angeliquinha do Comando Vermelho cumpre isolamento de seis meses na penitenciária feminina de Cuiabá

Angélica Saraiva de Sá, identificada como "Angeliquinha" e reconhecida como uma das principais líderes do Comando Vermelho em Mato Grosso, iniciará período de seis meses de isolamento na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A traficante retornou ao Estado na terça-feira (20) após ser capturada na Bolívia e permanecer em prisão em Mato Grosso do Sul.

Com condenação que ultrapassa 260 anos de encarceramento, Angeliquinha foi submetida ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), estabelecido pela legislação penitenciária para prisioneiras consideradas de altíssima periculosidade. Este regime impõe limitações significativas ao acesso a visitas, redução de períodos de exposição solar e vigilância intensificada pela equipe de segurança.

O delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, chefe da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), destacou em declaração que a medida objetiva neutralizar a capacidade de comando que a detenta mantém sobre a organização mesmo encarcerada. "É um isolamento completo. Seus direitos prisionais são restritos dentro dos marcos da Lei de Execuções Penais. O contato com outras detentas é eliminado, os períodos de banho de sol são significativamente reduzidos e existe vigilância acirrada das servidoras penitenciárias", explicou.

A imposição do regime de máxima restrição foi justificada pelo histórico delitivo extenso de Angeliquinha e sua posição estratégica dentro da estrutura hierárquica da facção criminosa. "Trata-se de uma prisioneira dotada de periculosidade extrema, com condenação de 260 anos, além de múltiplas ações penais em processamento, e por ocupar posição de liderança em organização criminosa", afirmou Freitas.

Fuga e Recaptura

Angeliquinha permanecia desaparecida desde 17 de agosto de 2025, data em que conseguiu evadir-se da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May. Sua localização ocorreu em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, capital boliviana, mediante operação coordenada entre investigadores da Polícia Civil mato-grossense e órgãos de segurança da Bolívia.

Quarenta e oito horas após a captura internacional, Angeliquinha foi entregue a agentes da Polícia Federal do Brasil, sendo encaminhada ao presídio feminino de Corumbá. De lá, foi transferida para o Estado de origem, retornando à instituição onde havia fugido.

Investigação de Lavagem de Ativos

Durante o mês de março do presente ano, a Polícia Civil executou a Operação Showdown, concentrando esforços contra membros da rede familiar de Angeliquinha, acusados de financiar operações da organização e participar de operações de ocultação de origem ilícita de valores.

A operação resultou na execução de 31 ordens judiciais, incluindo mandados de captura, ações de busca domiciliar, bloqueios de contas financeiras e apreensão de propriedades imobiliárias e veículos.

A análise investigativa revelou transações financeiras totalizando superior a R$ 20 milhões em um período de aproximadamente 19 meses, cifras incompatíveis com os rendimentos legalmente declarados pelos investigados. Conforme as autoridades, estruturas empresariais e negócios diversos funcionavam como instrumentos para legalizar recursos originários de operações ilícitas.

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