Prefeito de Cuiabá classifica como perseguição política a decisão de Alexandre de Moraes que impede visitas do senador por 90 dias
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), classificou como "perseguição política" a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar.
Segundo o prefeito, a medida estabelece um precedente inédito e prejudica a credibilidade da própria instituição.

Brunini contestou a restrição em declaração à imprensa: "É mais uma perseguição política, impedindo um filho de ver seu pai. Qual é o filho que não pode visitar o pai na cadeia? O Lula recebeu até pessoas que nem tinham grau de parentesco. Em nenhum lugar do mundo um filho não pode visitar o pai. Em nenhum lugar do mundo a esposa não pode visitar o marido. Isso é inadmissível".
A decisão de Moraes foi fundamentada na alegação de que Flávio descumpriu as medidas cautelares impostas ao ex-presidente. O senador divulgou nas redes sociais uma carta redigida por Bolsonaro que continha manifestações políticas, o que levou à restrição de visitação por três meses.
Questionado sobre os argumentos jurídicos apresentados, Abilio argumentou que a proibição representa discriminação em relação a outros detentos: "Qual é o presidiário do Brasil que não pode mandar uma carta? Até Mandela mandava carta para fora e o Bolsonaro não pode mandar uma carta. O Lula deu entrevista na cadeia e o Bolsonaro não pode divulgar uma carta?".
O gestor municipal também atribuiu motivações políticas às decisões envolvendo o ex-presidente, apontando o ministro Moraes como responsável: "Entendo que essa eleição tem lado político dentro do Supremo. O Alexandre vê ameaçado o mandato dele como ministro. Ele está defendendo causa própria, porque sabe que, se o Flávio chegar à Presidência e houver maioria no Senado, ele roda. Então, está tomando decisões equivocadas porque sabe que o dele está na reta".
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