Cinquenta e quatro cadeiras estarão em disputa neste ano, e aliados de Lula e Bolsonaro defendem ampliação de bancadas como meta
As eleições para o Senado despontam, para dirigentes de diferentes partidos, como uma das disputas mais decisivas deste ano — ao lado da corrida pelo Palácio do Planalto. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) intensificaram os esforços para ampliar suas bancadas na Casa, com o objetivo de influenciar diretamente os rumos da política nacional.
Em outubro, eleitores dos 26 estados e do Distrito Federal escolherão 54 senadores — dois por unidade da federação. Estarão em jogo dois terços das cadeiras do Senado, o que eleva o peso estratégico da eleição.
Parlamentares e líderes partidários avaliam que a disputa reflete o papel central do Senado em decisões-chave para a governabilidade do próximo presidente e para o equilíbrio entre os Poderes.
A Casa é responsável por pautas sensíveis, como a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além da sabatina e aprovação de indicações feitas pelo presidente da República.
Para o PT, o Senado tem sido um aliado importante no terceiro mandato de Lula, tanto para garantir vitórias quanto para barrar propostas consideradas prejudiciais ao governo. Na avaliação de petistas, a Casa ofereceu menos riscos do que a Câmara dos Deputados, onde o Palácio do Planalto patinou para aprovar matérias de interesse.
Dirigentes do partido afirmam que o Senado é um pilar para garantir a governabilidade de um eventual quarto mandato de Lula. Com um maior número de senadores, o governo Lula 4 poderia enfrentar menos obstáculos no Congresso.
O grupo de Jair Bolsonaro, por outro lado, avalia que a eleição deste ano para o Senado pode ajudar o grupo a alcançar uma maioria de votos dentro da Casa. Parlamentares afirmam que bancadas mais robustas poderiam influenciar nos acordos internos, abrir caminho para uma candidatura própria ao comando da Casa e destravar pautas de interesse, como impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os partidos de Lula e de Bolsonaro definiram o Senado como prioridade para as eleições de 2026. Em junho de 2025, dois meses antes de ser preso, o ex-presidente defendeu que aliados focassem na eleição de senadores.
À época, Jair Bolsonaro afirmou que era preciso conquistar maioria absoluta da Casa (41 cadeiras) para mandar “mais do que o próprio presidente da República”.
Para alcançar a meta, o partido tem ampliado negociações e tentado construir chapas ao Senado com legendas aliadas, que sofreriam menos rejeição do eleitorado. A ideia é que, em quase todos os estados, o PL tenha um candidato próprio e um aliado.
Estratégia semelhante vem sendo desenhada pelo PT. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, declarou ser fundamental ampliar as bancadas no Congresso para garantir estabilidade a um eventual novo mandato de Lula.
Em dezembro passado, a cúpula do partido definiu como prioritárias as eleições para o Senado. Resolução aprovada pelos dirigentes da sigla afirma que há “urgência de eleger uma nova correlação de forças no Legislativo”.
“O Senado, em particular, deve ser tratado como prioridade, uma vez que sua composição será determinante para a aprovação de reformas estratégicas, tornando imprescindível que o PT dispute com força essas vagas em cada estado, integrando a tática nacional com a dinâmica local de alianças e mobilização social”, diz o documento.
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