Soraya Mendes avalia que caso 'corrói confiança pública' e defende que CNJ investigue conduta do ministro
Ministro viajou em jatinho com advogado do caso do Banco Master dias antes de decretar sigilo ao processo
| Crédito: Rosinei Coutinho/STF
FacebookWhatsAppEmailXPartilhar
A jurista Soraya Mendes avaliou que a viagem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli à final da Libertadores, no fim de novembro, no mesmo jatinho usado por um advogado que atua na defesa de um diretor do Banco Master, levanta suspeitas de conflito de interesses e “corrói a confiança pública” no STF. O caso foi revelado após o ministro ser sorteado para relatar o processo um dia antes do jogo, decisão seguida de sigilo no processo e concentração do caso na Casa.
Segundo Mendes, o problema não é apenas o transporte, mas o vínculo entre um julgador e um advogado de uma das partes. “Não é possível alguém que acabe aceitando uma ‘carona’ em um jatinho. Ainda que fosse de um [Chevrolet] Celta, seria reprovável”, afirmou. Para ela, esse tipo de relação pode refletir em decisões favoráveis. “Pode ser que nada tenha acontecido, mas pode ser que muita coisa também tenha acontecido”, indicou.
A jurista também criticou a decisão de colocar o processo em sigilo. Na avaliação dela, a medida não se justifica e o ministro deve explicações. “A regra geral é a publicidade dos atos. Somente alguns casos devem ser postos em sigilo. Nós estamos ainda na dependência dessa resposta do ministro Dias Toffoli sobre o porquê de esse processo estar em sigilo”, apontou.
Organizações como a Transparência Internacional classificaram o caso como “claro ato de lobby judicial” e defenderam que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigue a conduta do ministro. Mendes concorda, afirmando que “nós, enquanto sociedade civil, precisamos estar atentos ao que vai transcorrer no âmbito do CNJ”.
Para ela, episódios desse tipo enfraquecem o STF justamente em um momento em que a extrema direita busca atacar a legitimidade do tribunal. “Uma ação como essa presta um desserviço tamanho. Porque isso enche a boca da extrema direita para dizer: ‘Esse é o Supremo que vocês defendem’. Sabemos muito bem que não é o momento para isso”, pontuou.
Fonte Brasil de Fato
PRÓXIMA NOTÍCIA
Membros da banca julgadora do 1º Prêmio de Jornalismo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) – Troféu Parlamento d...
Mato Grosso encerrou 2025 como o quarto estado que mais exportou no Brasil, com um total de US$ 30,11 bilhões (valor FOB, que considera apen...
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28.1), a Operação Devassare, para cumprimento de...
Faça um comentário // Expresse sua opinião...
Veja os últimos Comentários