Durante muitos anos o cigarro de palha fez parte da paisagem humana de Cuiabá.
Era presença constante nas conversas à porta das casas, nas viagens pelo interior e nos intervalos do trabalho.
Preparado artesanalmente, carregava um modo de viver marcado pela simplicidade e pelos costumes antigos.
Hoje quase desapareceu, mas continua aceso na lembrança de quem conheceu aquele tempo.
Quase todos os armazéns e vendas espalhados pelos bairros comercializavam o tradicional fumo de rolo.
O cigarro de palha era confeccionado manualmente.
Abria-se a palha de milho, já seca e macia, colocava-se uma pequena porção de fumo desfiado, distribuindo-o de maneira uniforme.
Em seguida, enrolava-se a palha com delicadeza, apertando-a entre os dedos até adquirir o formato desejado.
A ponta era torcida para que o fumo não escapasse, e o cigarro estava pronto para ser aceso.
Havia quem preparasse vários de uma só vez, guardando-os na algibeira da camisa ou no bolso da calça para serem fumados ao longo do dia.
As lavadeiras, com a praticidade de quem trabalha sem descanso, costumavam guardá-los dentro do sutiã.
No Bar do Bugre, de meu pai, vendiam-se apenas cigarros industrializados, das mais diversas marcas nacionais e estrangeiras.
Os especialistas afirmam que um cigarro de palha pode equivaler a três ou quatro cigarros industrializados.
Durante muitos anos, homens e mulheres fumavam com frequência, e, em determinados ambientes, o hábito era até considerado elegante.
Com o avanço dos estudos sobre os males produzidos pelo tabagismo, campanhas de conscientização ganharam força em todo o mundo.
Aos poucos, o cigarro perdeu prestígio de outras épocas, e o número de fumantes diminuiu consideravelmente.
Hoje, o cigarro de palha pertence quase exclusivamente à paisagem rural, onde também se tornou cada vez mais raro.
Meus filhos e netos nunca fumaram.
Meu genro abandonou o cigarro há muitos anos.
Eu fumei durante vinte anos, por insegurança da juventude, e deixei o hábito sem sofrimento. Regina fez o mesmo.
O cigarro de palha desapareceu das mãos de muita gente, mas permanece vivo como lembrança de um tempo que já virou história.
Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado
NOTÍCIA ANTERIOR
PRÓXIMA NOTÍCIA
A disputa pela liderança da próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa segue em aberto, trazendo preocupações ao presidente atual da instituiç...
O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) divulgou ontem (13) o nome de Eduardo Manciolli para assumir o cargo de secr...
Conteúdo Política - O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), manifestou apoio integral a Flávio Bolsonaro (PL...
Faça um comentário // Expresse sua opinião...
Veja os últimos Comentários