Gustavo Oliveira
Durante a semana, no final da tarde, passava de carro pelo Praça 8 de Abril quando, em um semáforo, fui abordado por uma jovem que, educadamente, me ofereceu um adesivo de Bolsonaro para colocar no veículo.
Também de forma educada recusei o pedido.
Um rapaz, que estava com a jovem lhe disse que não adiantaria tentar me convencer do contrário pois eu era ‘lulista’. Ao anúncio de que um ‘adversário’ trafegava no local, o grupo que fazia a adesivagem do ‘mito’, me dedicou uma sonora vaia - menos a educada jovem que havia oferecido o adesivo.
Em silêncio sai da constrangedora situação. Ao olhar pelo retrovisor do carro percebi que os veículos que me seguiam não recusavam a oferta de carregar o 22 no carro. Logo pensei: será que só eu estou errado? E comecei a me questionar.
O que é mais perigoso: corrupção na Petrobras ou uma ditadura, que Bolsonaro vive enaltecendo e ameaçando reeditar?
O que é mais grave: corrupção na Petrobras (roubo) ou os 700 mil mortos na pandemia (latrocínio)? A corrupção na Petrobras ou a desertificação da Amazônia, que vai esculhambar com o clima na Terra nos próximos séculos ou milênios, caso desmatemos só mais um pouquinho? A corrupção na Petrobras ou um país armado? A corrupção na Petrobras ou o desrespeito às minorias? A corrupção na Petrobras ou o império de fake news?
O que assusta mais: o risco de que haja corrupção por parte do PT ou qualquer corrupção da família Bolsonaro (com os 51 imóveis comprados com papel-moeda, orçamento secreto, rachadinha e ligação com milicias cariocas)?
O que causa mais medo: o risco da redução drástica das queimadas na Amazônia e demarcações de terras indígenas e quilombolas ou apoio à madeireiros, grileiros e garimpeiros ilegais? Aumento real do salário mínimo ou o contrário?
De um lado há um candidato em que você pode discordar, pois ele vai aceitar discutir com você, dentro das regras democráticas. Já do outro lado... Difícil escolha?
Não sou ‘lulista’ – apesar de ter votado nele contra o Collor e nas duas vezes em que foi eleito, só não o fiz nas duas vezes em que perdeu para FHC -, hoje me incluo nos quase 20%, segundo a última pesquisa do Datafolha, dos que votam em Lula pelo simples motivo que não querem ver Bolsonaro e, principalmente, o que ele representa nos próximos quatro anos no Palácio do Planalto. Já Lula, se ele errar é só engrossoar a oposição no dia seguinte a sua eleição!
Enfim, argumentos não me faltam para ficar onde estou, mesmo que sozinho e vaiado em uma praça pública de Cuiabá.
(*) GUSTAVO OLIVEIRA é diretor de Redação do DIÁRIO
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