Foi formado o chamado Escudo das Américas. Quem comandou essa ação foram os EUA, com atuação direta de Marco Rubio que chefia a política externa do pais. A base para esse movimento é o de combate ao narcotráfico e também grupos terroristas nas Américas. Praticamente estão no bloco todos os países da região. Brasil e México não fazem parte ainda.
Desde algum tempo existe um trabalho norte americano voltado para a região que está além do combate à droga. O combate é importante e vai até aumentar. Mas, por trás dessa ação norte americana, está algo muito maior na visão da política externa daquele país: a presença cada dia maior da China na América Latina, principalmente na América do Sul.
Como a coluna já mostrou antes, essa presença tende a aumentar com a aquisição pelos chineses do porto de Chankay na costa do Pacifico no Peru. Haverá mais importação e exportação de bens por ali.
O comércio do Brasil com a China é muito maior do que com os EUA. Este pais não compra soja, milho, por exemplo. A China compra a acrescenta ainda a carne bovina. A aproximação brasileira com os chineses se dá poraí. É só ver o caso de Mato grosso no comercio externo com a China e os EUA.
É muito maior com o país asiático. A coluna trás mais uma vez para esse assunto o que ocorreu antes nesta região na época da chamada Guerra Fria: de um lado os EUA e do outro a União Soviética.
Quando os norte-americanos descobrem qué os russos estavam colocando misseis balísticos em Cuba, ali bem perto dos EUA, eles reagem de maneira forte. Primeiro com um bloqueio em torno da ilha para não ir para lá armamentos balísticos.
A partir dali os EUa fazem um enorme trabalho em toda o continente para conter a aproximação com o socialismo. Apoiam governos militares de direita em toda área.
O Brasil também por aí. Praticamente acabam as inciativas para que país da região fosse para o lado esquerdo da política internacional. Somente o caso cubano e assim mesmo sob cerco norte americano para não espalhar aquele tipo de governo para lugar nenhum.
Voltemos para o momento atual e o caso da China. Será difícil os EUA impedirem essa aproximação regional com o gigante asiático. Não tem nada de ideologia política ou coisa parecida, é comercio, é venda e compra de produtos em ambas as direções.
Imagineros que Flavio Bolsonaro, que é mais à direita do espectro político e terá uma aproximação maior com Donald Trump, queira afastar o Brasil da China e juntar mais com os EUA. É impossível impedir o crescente comércio com a China.
O lado empresarial brasileiro, mesmo sendo mais a favor dos EUA no campo ideológico e político, não podem dispensar do dia para a noite o comércio com a China.
Este é o assunto mais palpitante da política externa do Brasil pelos anos à frente. China, comércio e os EUA com seus motivos do outro lado. Vai influenciar até mesmo a politica interna no Brasil.
Alfredo da Mota Menezes é analista político
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