Dentre os tantos hábitos brasileiros, normalizar a dor é um que preocupa os médicos ortopedistas. O periódico Lancet Regional Health – Américas, em pesquisa realizada com 10 mil cidadãos acima dos 50 anos em 70 cidades, apontou que cerca de 37% dos analisados conviviam com alguma dor crônica.
A Organização das Nações Unidas (ONU) define que a dor pode ser classificada como crônica quando durar mais de três meses. Apesar da duração, é imprescindível destacar que a dor nunca é normal, pois ela é uma sinalização de que o corpo está com a saúde prejudicada.
Nós, médicos ortopedistas, recebemos em nossos consultórios pacientes com queixas graves e que, muitas vezes, estão impedidos de realizar atividades cotidianas devido à dor articular e muscular. Um ponto em comum em vários desses depoimentos é que o desconforto ocorre há meses.
Ao avaliar o quadro clínico, é perceptível que o paciente poderia sentir menos dor e continuar realizando suas tarefas se tivesse procurado tratamento anteriormente. Isso ocorre porque a intervenção médica precoce é crucial na prevenção das complicações.
Esse hábito de procurar ajuda médica tardiamente escancara um terrível hábito: o brasileiro pede ajuda apenas quando a dor está limitante. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que, de 1940 a 2024, a expectativa de vida do brasileiro cresceu aproximadamente 31 anos. A longevidade, entretanto, não significa que estamos vivendo com qualidade.
Um dos principais estigmas que reforçam esse comportamento é a crença sobre a dor ser definitiva. Em termos claros, o paciente acreditar que seu desconforto é irreversível pode levá-lo a prejuízos ainda maiores. Isso reflete a necessidade de uma mudança mais profunda, que vai além da remodelação dos hábitos e age na percepção da pessoa sobre si mesma.
Dessa forma, é evidente que negligenciar a saúde articular pode levar à incapacidade funcional. O envelhecimento, então, chega de forma acelerada e global, ou seja, prejudica todos os aspectos da vida. É necessário que os brasileiros compreendam a longevidade articular como ferramenta para o momento presente, sendo a velhice um acontecimento próximo e, por isso, digna de proteção.
Fellipe Valle é médico ortopedista especializado em Medicina Regenerativa, com atuação focada em longevidade articular
NOTÍCIA ANTERIOR
PRÓXIMA NOTÍCIA
O governador Otaviano Pivetta cumpre agenda em Rondonópolis nesta segunda-feira (22.6), autorizando novos investimentos nas áreas de...
O Governo de Mato Grosso e a Rumo inauguraram, neste sábado (20.6), o primeiro trecho da 1ª Ferrovia Estadual de Mato Grosso. Sã...
Policiais militares do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) prenderam um homem foragido da Justiça, na no...
Faça um comentário // Expresse sua opinião...
Veja os últimos Comentários